Adriano e o Fla-Flu

Qualquer pessoa que cruzou ao menos uma vez com Adriano sabe que ele é um cara humilde, atencioso, de sorriso fácil. De certa forma, ele é um exemplo de sucesso para milhares de crianças que têm a esperança de, um dia, se tornarem jogadores de futebol.
Mas a verdade é que, de exemplo, Adriano não tem nada.

A entrevista do (ex) atacante a Pedro Bial , na madrugada desta quinta-feira (12), revelou a face cruel do fim de uma estrela. Em uma análise bem fria (e também cruel), a carreira do Imperador acabou em 2009. O hexacampeonato brasileiro pelo Flamengo foi o derradeiro ato daquele que um dia foi considerado com potencial para ser o maior atacante da história do futebol.

Na conversa com Bial, acreditem, Adriano disse que voltará a jogar porque sua carreira está incompleta. Ele e boa parte da opinião pública não conseguem enxergar que a análise da sua trajetória é inversa. Pela vida que sempre levou, o Imperador foi longe demais no futebol.

É claro que a perda do pai abalou o craque. Mas é verdade também que a perda do pai virou desculpa para tudo na vida de Adriano. Faltou a treino? Bebeu muito? Abandonou a Inter de Milão? Ficou escondido na favela? Tudo tinha a ver com os transtornos psicológicos causados pela morte do pai.

Adriano mente para ele mesmo. Para o (ex) atacante, existe má vontade da mídia por sua origem humilde. Ora, quantas e quantas vezes Adriano teve uma “segunda chance”? E quantas vezes não aproveitou?

A mais nova mania do Imperador é dizer que “não consegue beber só uma cervejinha quando está com os amigos, nos churrascos no local de suas raízes”. No papo com Bial, Adriano reconheceu que bebe quase todos os dias da semana (inclusive uísque), mas prometeu (outra vez) que voltará a atuar. Mas só começará a treinar em janeiro. Até lá, serão quase quatro anos sem disputar um jogo oficial (a passagem meteórica pelo futebol dos Estados Unidos no ano passado não é considerada por motivos óbvios).

Alguém ainda acredita? O melhor a fazer é dizer: obrigado por tudo, Adriano!

Ah, hoje tem Fla-Flu pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã. E não custa lembrar que o clássico remete também a Adriano. Talvez a última grande atuação do Imperador com a camisa rubro-negra tenha sido na vitória por 5 a 3 sobre o Tricolor, pela Taça Guanabara de 2010. O agora ex-atacante fez três gols e comandou a festa da torcida.
Na época, o craque prometeu pagar bicho do próprio bolso aos companheiros para o Flamengo não perder para Cuca, então técnico do Fluminense e seu desafeto. A torcida saiu feliz.

Valeu, Imperador!

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