Questão de postura

Quem acompanha o Fera Rubro-Negra sabe que aqui não tem papo de bom moço no futebol. Para jogar no Flamengo, não é preciso ser bonzinho fora de campo, ter um discurso bonito, um passado irretocável. Mas há algo que a torcida nunca abriu e jamais abrirá mão de quem veste o Manto Sagrado: vontade de vencer.

Não há nada mais emblemático no atual Flamengo do que a cena no intervalo da partida contra o São Paulo, no último domingo (22), no Pacaembu. O placar mostrava 2 a 0 para o time paulista, o Rubro-Negro tinha uma atuação ridícula até então, e as câmeras flagraram o lateral-direito Rodinei e o zagueiro Rafael Vaz rindo a caminho do vestiário, ao conversarem com um “adversário”.

Os jogadores podem e devem ter amigos em outros clubes. Ninguém em sã consciência é a favor de brigas durante as partidas. A rivalidade deve ser SEMPRE apenas quando a bola rola, porque todos estão em campo para vencer. Mas é uma questão de respeito com o torcedor que sofre no estádio ou pela TV. Sair rindo de campo diante de uma derrota e com uma atuação medíocre é, no mínimo, falta de vergonha. Falta de conhecimento do que representa vestir uma camisa como a do Flamengo.

O Flamengo atual, no entanto, parece ser isso que Rodinei e Rafael Vaz mostraram. Um time que não se importa em perder. Um amigo do blog, inclusive, lembrou de outro momento marcante da temporada. “O Diego saiu de campo com o cabelo arrumadinho na perda do título da Copa do Brasil”. Pode parecer cisma de torcedor, mas é um questionamento válido.

Não, não precisamos recorrer ao passado ou ao discurso chato do ‘coração na ponta da chuteira’ para cobrarmos um pingo de compromisso com o clube, a camisa e o torcedor. O futebol mudou, é verdade, mas é preciso que alguém dentro do Flamengo explique a cada um que jogar ali não é brincadeira. Quem não estiver acostumado ao sucesso, às vitórias, que peça para sair. É, apenas, uma questão de postura.

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