Euforia sem exagero

O torcedor pode, deve e merece estar eufórico com a classificação do Flamengo para a final da Copa Sul-Americana. Aliás, exceção feita a qualquer tipo de violência, o torcedor pode tudo. É ele quem é zoado o tempo todo quando seu time não vai bem e, este ano, ninguém foi mais ‘sacaneado’ do que o torcedor rubro-negro. Sim, porque a torcida acreditou no discurso de que o time brigaria por todos os títulos da temporada.

O sonho do hepta parecia real e o mais pessimista não imaginava uma campanha tão pífia na competição nacional e, principalmente, na Libertadores.

Por isso o momento de festejar é agora. O torcedor tem o direito de reverenciar César, de vibrar com a excelente atuação de Lucas Paquetá e de comemorar os gols de Vizeu. Mas há quem não possa e não deva se iludir: quem comanda o futebol do clube.

O Flamengo mais uma vez não apresentou bom futebol. Foi pressionado toda a partida contra o Junior Barranquillla, teve a sorte de enfrentar um adversário limitadíssimo tecnicamente e viu seu técnico mostrar uma tática medrosa como há muito não se vê no clube. A entrada de Márcio Araújo no segundo tempo foi o sinal de alerta para que os dirigentes revejam a situação de Reinaldo Rueda. Qualquer ser humano imaginou a entrada de Vinícius Júnior para que o Flamengo tivesse chance de contra-ataque e matasse o jogo. Menos o técnico colombiano.

Os dirigentes precisam reconhecer que o trabalho feito este ano, com ou sem o título da Sul-Americana, não foi bom. É preciso uma revisão urgente do elenco, contratações mais precisas e com retorno e, principalmente, zelar por quem pode ter futuro no clube.
Se a torcida passou a amar César a partir de ontem, os dirigentes precisam enxergar que ele tem potencial, pode ser preparado para ser titular no futuro, mas não é solução do problema para quando Diego Alves precisar ficar afastado. O mesmo serve para Paquetá e Vizeu, ambos com futuro promissor, mas ainda coadjuvantes.

É preciso pensar nos investimentos altíssimos feitos. Se Éverton Ribeiro ainda tem o longo tempo em um futebol de qualidade inferior a seu favor, o mesmo não se pode dizer de Diego, que teve na quinta-feira uma das piores atuações de sua carreira. Os laterais são deficientes e a criação no meio-campo ainda é ineficaz.

Ainda há muito a ser feito para que o Flamengo tenha o ano mágico prometido há cinco temporadas pela gestão Eduardo Bandeira de Mello. Pensar nisso com seriedade é uma obrigação a partir do próximo dia 14.

Até lá, o torcedor pode e deve festejar. Ninguém mais o do que ele merece a felicidade de um título…

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