Ignorância e cumplicidade

Juninho Pernambucano mostrou a pior face do preconceito. Aquele que é usado com a falsa justificativa de conhecimento de causa. Em algum momento da vida, o ex-jogador foi vítima da cretina sociedade brasileira. Nordestino e pobre num passado distante, Juninho certamente foi discriminado como boa parte da população brasileira.

O que mais assusta no festival de imbecilidades proferidas pelo agora comentarista é perceber que ele ficou rico, teve a gente de acumular conhecimento e cultura e, mesmo assim, parece não ter aprendido nada. Pelo contrário. O tempo parece ter tirado de Juninho a possibilidade de raciocinar antes de falar.

Talvez Juninho não saiba que existe uma diferença grande entre conceito e preconceito. Como a própria palavra diz, preconceitos são conceitos estabelecidos sem exame crítico, um sentimento hostil, consequência da generalização. De forma mais ampla, preconceito é INTOLERÂNCIA.

Ao dizer que Renê é feio e não é amigo de ninguém, Juninho decretou verdades particulares. Se Juninho acha que Renê é feio (chega a ser ridículo ter que ouvir isso), é uma questão que diz única e exclusivamente a ele. O preconceito que revelou uma face cretina do ex-jogador foi com relação à torcida do Flamengo. Torcida essa formada por brancos, negros, ricos, pobres, de todos os gêneros, moradores do Norte, Centro-Oeste, Sul, Sudeste e, principalmente, Nordeste.

Pior do que a arrogância e a ignorância de Juninho só mesmo o silêncio de seus companheiros de emissora. Em um mundo no qual o mínimo deslize é combatido com crueldade ao vivo ou nas redes sociais, ninguém foi capaz de corrigir o festival de asneiras dita pelo ex-jogador. E pensar que na mesma mesa estava um negro, que, sempre que pode, adota o importante discurso de combate ao racismo. A cumplicidade talvez tenha doído mais do que o discurso de Juninho.

Sejamos tolerantes. Juninho ignora a história do Flamengo, ignora a existência de ídolos nordestinos do Flamengo. Juninho é, em resumo, um ignorante. Que tenha a humildade para aprender. E que, ao deixar de ser ignorante, dê um passo importante para vencer o preconceito que infesta sua mente.

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