Obrigado, Barbieri!

A escolha de Maurício Barbieri para ocupar o lugar deixado por Paulo César Carpegiani – talvez a mais desastrada contratação da gestão Bandeira de Mello – foi um erro. Inexperiente, com pouco tempo de clube, o então auxiliar tinha tudo para sucumbir diante da necessidade de o Flamengo ganhar títulos em competições importantes e, principalmente, com o tumultuado cenário político em ano eleitoral. Mas não custa nada revermos opiniões.

O Flamengo de Bandeira e sua turma tem erros graves, grotescos até, para um clube que se orgulha de ser milionário atualmente. Os quatro laterais são limitadíssimos. Pará não agrada à comissão técnica, Trauco já manifestou o desejo de deixar o clube, enquanto Rodinei consegue passar jogos e mais jogos sem acertar um cruzamento sequer. Como teve o contrato renovado até 2022 é um enigma indecifrável.

Na zaga, Réver joga com o nome que fez na carreira. Juan teve o contrato renovado, merece respeito pela trajetória profissional, mas nem mesmo o mais fervoroso torcedor quer vê-lo em campo. Enquanto Rhodolfo ninguém sabe quando está ou não machucado.

No meio, Cuéllar não tem um reserva à altura. Diego segue jogando mal sem que o treinador tenha coragem de tirá-lo durante as partidas. E as opções do banco são quase sempre sofríveis.

No ataque, a situação é ainda mais crítica. Guerrero já sabe que não ficará e não faz a menor questão de atuar. Uribe chegou há pouco tempo e tem mais momentos ruins do que bons, enquanto Henrique Dourado virou a última opção. O caso do ex-jogador do Fluminense é outra mostra de como os dirigentes investem mal em contratações. Com R$ 500 mil mensais, Dourado jamais emplacou e perdeu espaço com seguidas atuações medíocres.

Com tudo isso, Barbieri consegue fazer o Flamengo jogar. Graças a ele, Cuéllar virou titular absoluto e só faz subir de produção. É o colombiano quem dita o ritmo do time na saída para o ataque. Paquetá, mesmo irritando atualmente com as seguidas firulas, é um jogador consolidado como titular e que não se omite nos momentos mais difíceis. O limitado Renê tem dado conta do recado, e Éverton Ribeiro ganhou liberdade para se movimentar, o que o torna útil mesmo tendo ao lado um quase sempre inoperante Diego.

Mais ainda. Com o treinador, Léo Duarte virou titular e ganhou confiança, assim como tinha acontecido com Vinicius Júnior. E outros como Lincoln ganham cada vez mais oportunidades.

Além disso, Barbieri entendeu rapidamente o espírito do Flamengo. Acreditem, o Flamengo é um gigante que se alimenta de vitórias. A frase pode ser ultrapassada para os tempos modernos, mas é verdadeira. Traduz fielmente a essência do clube. Por mais que o presidente Bandeira e seus aliados insistam que o mais importante é disputar títulos, mesmo que sem vencê-los, o Flamengo precisa de conquistas. Sempre foi assim, sempre será.

E Barbieri vem se mostrando um defensor do futebol vitorioso, sem medo, persistente, incansável na busca pelos resultados que interessam. Não podemos criar ilusão. O Flamengo está longe de ser um time imbatível ou mesmo considerado o melhor do Brasil. Não nos deixemos enganar pelo empate com o Grêmio, que teve uma atuação abaixo do padrão normal. Mas os adversários pouco importam. O melhor é ver que Barbieri gosta de vencer. E esse gosto pela vitória é o primeiro passo para um espírito campeão. Isso, o Flamengo já tem.

Obrigado, Barbieri!

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